Muitos conselhos sobre carreira profissional são construídos em torno de slogans como “siga seu coração” ou “siga a sua paixão”. O escritor britânico William MacAskill sugere que ao menos que você se pergunte: “O que instiga você?” e busque sua resposta, caso contrario você passará a vida inteira desperdiçando o seu tempo.

Em 2011, William MacAskill co-fundou a “80.000 horas”, uma organização sem fins lucrativos focada em ajudar pessoas a encontrarem carreiras gratificantes em que terão um maior impacto social. O nome “80.000 horas” refere-se à quantidade de tempo que você normalmente irá trabalhar em sua vida, tema de um dos livros de William.

A organização entrevistou e treinou centenas de pessoas e uma das descobertas foi que tentar exercer alguma “paixão” predestinada é um caminho totalmente errado. Por quê? Para começar, as paixões da maioria das pessoas simplesmente não se encaixam bem com o mercado de trabalho.

20140503 untitled 3393-Edit.jpg” by Bob Muller, is licensed under CC BY-NC 2.0

Um estudo de 2003, feito por estudantes da Universidade de Quebec, descobriu que 80 por cento deles tinham uma paixão, e que 90 por cento dessas paixões envolviam esportes, musica e arte. Porém, apenas 3 por cento dos postos de trabalhos são nas indústrias de esportes, música e arte. O resultado disso, é uma enorme concorrência por alguns trabalhos altamente valorizados. Outro ponto pode ser que você tenha uma paixão por música, por exemplo, mas isso não quer dizer necessariamente, que você será um bom músico profissionalmente, o que acaba dificultando ainda mais a entrada nesse mercado.

Além disso, nossos interesses e paixões também mudam e evoluem ao longo do tempo. Basta você pensar sobre qual era o seu maior interesse há 10 anos atrás, existe uma grande possibilidade dele ser completamente diferente dos seus interesses hoje. Você pode planejar a sua vida imaginando nunca ter filhos, por exemplo, mas então você chega aos 30 e vê que as suas preferência mudaram drasticamente.

As evidências sugerem que não somos tão bons assim em prever o que nos irá fazer feliz. Nós costumamos superestimar o impacto negativo das mudanças ruins em nossas vidas, isso porque negligenciamos todas as coisas boas que permanecem nas constantes mudanças que passamos. Além disso, ainda esquecemos de apreciar como nos adaptamos bem psicologicamente através de tantas situações novas que surgem em nossas vidas. Isto significa que os nossos instintos sobre o que nos faria feliz são influenciados pelos status quo: nós gostamos do que já estamos acostumados e superestimamos os riscos de mudar o caminho que já estamos.

Então, se você seguir as suas “paixões” ou o seu “instinto”, corre o risco de se comprometer com projetos que a longo prazo não serão mais interessantes para você.

Mas afinal, existe um jeito melhor de encontrar uma carreira que seja realmente gratificante para nós?

Engaje-se!

O que William MacAskill e a 80.000 horas descobriram é que os melhores indicadores de satisfação no trabalho são características do próprio trabalho em si, ao invés de questões de paixão pré-existente. O que essa descoberta quer dizer é que você deve procurar por um trabalho que você se sinta engajado: encontre isso e você irá desenvolver uma paixão duradoura por esse trabalho.

Engajar-se pode ser dividido em cinco fatores:

1) Independência: Quanto controle você tem sobre como você irá fazer o seu trabalho?

2) Sensação de realização: Quantas partes do trabalho você precisa completar para que sua contribuição no produto final seja facilmente visualizada?

3) Versatilidade: Até que ponto o trabalho exige que você realize diferentes atividades, usando diferentes habilidades e talentos?

4)  Feedback do trabalho: Quão fácil é saber se você está executando bem ou mal o seu trabalho?

5) Contribuição:  Quanto do seu trabalho “faz a diferença”, para melhorar o bem estar de outras pessoas?

Cada um desses fatores também contribui para a motivação, produtividade e compromisso com o empregador. Outros fatores que também contribuem para a satisfação no trabalho é se você se sente realizado com o que faz, quanto de colaboração você tem dos colegas de trabalho e outros fatores tais como, ter uma remuneração justa. Vocês notarão que nenhum desses fatores tem muito a ver com o fato do trabalho envolver uma de suas “paixões”.

 Encaixe-se!

Não existe um “emprego perfeito” que sirva para todas as pessoas – fatores pessoais são cruciais na escolha da carreira certa. Pessoas diferentes tem habilidades diferentes e você irá precisar jogar com seus pontos fortes a fim de desenvolver o domínio sobre o que você faz, outro item importante para se sentir confortável e apreciar o seu trabalho.

Para conseguir se encaixar em uma carreira, a questão chave é a seguinte:

Se você fosse investir o seu tempo, quão bom você se tornaria nessa carreira, comparado com outras carreiras que você poderia escolher?

O foco é no que você poderia se tornar bom, o que não é necessariamente o que você é bom hoje. Se você olhar apenas os seus pontos fortes, você realmente pode sentir que as suas melhores opções para carreira seriam na música, beisebol, ou filosofia, por exemplo. Mas estreitar as suas opções desta forma seria um erro grave. Talvez você ainda não tenha habilidades em demandas como gestão, marketing ou programação, mas isso não significa que você não poderá desenvolvê-las e se aprimorar nessas áreas.

Se você quer prever o quão bem você pode se sair, o primeiro passo é aprender o máximo que puder sobre a carreira que pretende seguir. Fale com as pessoas da área, pergunte quais características eles consideram mais importantes para o sucesso e veja como alcançá-las. Pergunte por que as pessoas acabaram deixando o trabalho. Descubra como as pessoas parecidas com você se saíram no trabalho anteriormente.

Pode soar como um grande esforço, mas estamos falando de cerca de 80.000 horas de sua vida. Que valem a pena um pouco de pesquisa.

Planejamento!

Nos dias de hoje nós temos muito mais liberdade para escolher as nossas carreiras do que em qualquer momento da história. Talvez seja por esse motivo que falar “siga a sua paixão” se tornou tão popular que nos permite entrar na fantasia de perseguir o que consideramos prazerosos para nós hoje e sermos pagos por isso.

Mas na realidade os trabalhos “a base de paixão”, como esportes e arte, são escassos e altamente competitivos. Apenas uma minoria irá realmente ser bom (ou ter sorte) o suficiente para conseguir seguir nessas carreiras e outros irão desistindo aos poucos após anos de tentativas.

A boa notícia é que esta não é a única ou mesmo a melhor maneira de encontrar uma carreira satisfatória. Em vez disso, procure por um emprego que você seja bom, mesmo que não excite a sua paixão imediatamente. Saiba o máximo que puder sobre esse trabalho, experimente tudo que achar promissor e verifique se esse trabalho se encaixa em todos os critérios de engajamento listados acima.

Talvez isso tudo não pareça nada emocionante como “seguir a sua paixão”, mas é a melhor maneira de desenvolver a satisfação profunda e duradoura em sua carreira. E isso não é o mais importante?

Fonte: Doing Good Better, by William MacAskill´s

J0 – the master definition of ‘A Job’ and the acid test for ‘Full Employment’” by Julian Partridge is licensed under CC BY-SA 2.0

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